quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma dupla de dois

Alguns meses antes de vir para a Irlanda, Juliana encontrou no Google um blog de um casal que já morava na terra viking por dois anos (http://vidanairlanda.blogspot.com/) . Com a inteção de reunir algumas informações a mais para nossa viagem, o diálogo começou.

Tarsila, é quem atualiza as postagens. Gentileza e boa vontade não faltaram em momento algum; todas nossas dúvidas foram sanadas. A simpatia nos ganhou, e nos levou até seu outro blog (http://tarsilakruse.blogspot.com/), que funciona como protifólio; e ao flickr (http://www.flickr.com/photos/vidanairlanda/), que tem o registro desta longa jornada que a dupla tem vivido.

Cético assumido que sou, não achei que a relação pudesse evoluir. Não acredito muito em amigos de plástico (definição que dei para contatos que são apenas on-line). Ainda mais sendo a Ju quem "admistrava" o contato - quem a conhece, sabe que ela é uma pessoa desapegada da vida social. Eu mesmo nunca havia falado com nenhum dos dois. Sabia dos dois através da Ju.

Quase quatro meses se passaram... Poucos e-mails foram trocados e, em um belo dia de sol, Juliana recebe uma visita inusitada na loja em que trabalha. Adivinhem quem é! Esta é fácil, não chega a ser um desafio. Claro, a Tarsila!

Juliana estava próxima de sua hora de almoço e convidou a "lenda viva" para vir até nossa casa. Eu resolvi atrasar um pouco a ida para escola, para conhecer a garota. Não sei porque, mas o papo fluiu bem. Tão bem que marcamos de fazer algo juntos no dia seguinte.

O lugar escolhido foi o Museu nacional da Irlanda. Fomos para parte de decoração, artes e história, onde havia uma exposição sobre a história das batalhas vividas nesta terra (confesso que a compreenssão poderia ser bem maior caso as informações fossem em português).

Mas a qualidade da exposição pouco importou - embora seja boa. O espaço virou uma sala de pate-papo para nós três. O dia passou e, ao fim, pouco vimos. Depois fomos até o Phoenix Park, o maior situado dentro de uma cidade da Europa, onde passeamos, fizemos algumas fotos e nos conhecemos um pouco mais.

Na badalada das 18 horas, Eric, marido de Tarsila, ligou para falar que terminara o trabalho. O convite foi extendido à ele. Rápido preparamos um jantar. E logo descobrimos que a menina falante e rizonha tem um marido "sangue bom".

O casal forma um paradoxo inderessante e de agradável convívio: ela bem cult, ele bem básico. mbos muito simpáticos, inteligentes e educados.

No último sábado rolou uma pizzada em casa. O curioso - e bom - é que a barreira do tempo foi quebrada no primeiro minuto. Algo nos deixa a vontade como se nos conhecessemos há longos anos. Claro, ainda não chegamos ao pontos de compartilhar flatulências, mas logo chegaremos lá.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma estranha no ninho!

Ao anoitecer da última quinta-feira (11), o telefone toca: “Hello, I am Brigid. I would like to know your apartment!“. No dia seguinte, chega uma Neozelandesa; nem alta e nem baixa, nem bela e nem feia. Olha o quarto vazio que temos em casa, olha a cozinha, a sala, conhece nosso quarto; perde uns 40 minutos batendo papo e analisando nossa rotina para ver se a agradaria e, dois dias depois, temos uma casa mais cheia.

Agora, novamente, somos três. Desde a saída do Norbert (há cerca de três semanas), a casa estava com uma rotina diferente: era uma vida mais “tradicional” - confesso que prefiria dividir a casa só com a Juliana. Mas a realidade dos imigrantes em Dublin é outra (independende de nacionalidade, estajam eles à trabalho, ou, como nós, à estudo). Dividir é necessário. É quase uma máxima para uma sobrevivência mais conveniente e menos sofrida. Obviamente nem sempre entendida por todos, ainda mais quando se fala de brasileiros. Mas isto é assunto para um próximo post.

Morar com um ser completamente estranho (cultura, costumes e hábitos) é uma grande oportunidade para reavaliar seus valores. A convivência com qualquer pessoa, por vezes, é uma boa lição. Com pessoas cohecidas, sejam seus amigos ou sua mulher (como no meu caso) é mais tranquilo, pois existe o afeto.

No caso de alguém nunca visto antes, é um pouco mais complexo. Nessas horas se torna válida a aplicação de um conceito muito conhecido - nem sempre respeitado -, que se chama respeito. É importante saber onde termina seu espaço e, onde começa o da outra pessoa.

Porém a sorte, mais uma vez, está ao nosso lado. Brigid é do bem. Em cinco dias de convivência já descobrimos uma pessoa, de um lugar distante, com muitas coisas em comum. Assim como a Juliana, a garota é romantica e apaixonada por literatura e línguas. Assim como eu, nossa flat mate (relembro-os que este nome é dado às pessoas que dividem o mesmo apartamento) gosta de música, cinema e gastronomia.

Até agora, a nova formação power-trio, não fez nenhum hit de sucesso, mas tem se mantido afinado. E, para mim, ainda é uma magnífica oportunidade de praticar meu inglês.

PS.: Em meu primeiro post me comprometi à fazer atualizações frenquentes, o que não aconteceu nos últimos dias, porque tentei trocar o Windows Vista por uma versão do XP, que consegui via download. Resultado: o computador não funcinou "muito bem". Problema resolvido e aqui estamos novamente.

Bye bye!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Como assim?

Um pergunta frequentemente feita à mim quando falo com alguém do Brasil é: ”como é viver ai?”. Para a conversa render, sempre me faço de louco e, primeiro, conto como é a cidade. Digo que aqui tem belos parques, onde as pessoas tomam sol (nos raros dias em que este aparece); que a cidade é cortada por um bellíssimo rio, o Liffey; que os prédios não são altos: no máximo cinco ou seis andares, e todos seguem um mesmo estilo arquitetonico – o que resulta um uma harmonia muito grande; que o tempo todo as ruas são limpas, e sem cachorros abandonados; entre outras boas coisas.

O que mais me agrada (isto é uma opnião bem pessoal e, um tanto futil), é o fácil acesso à música. Em cada rua, esquina ou praça de Dublin, sempre há algum músico ou banda com uma qualidade, no mínimo, boa. Para minha sorte, o estilo mais tocado é o velho e bom rock e, por vezes, folk e música tradicional da Irlanda que me agradm igualmente. 

Abro mais um parágrafo para destacar a qualidade das músicas, que são possíveis de ouvir gratuitamente pelo caminho de casa, ou quando vou para o mercado ou um pub, porque realmente as bandas se empenham. E o público corresponde, sempre arremessando moedas de 50 cents, 1 ou 2 Euros no cases das guitarras; aplaudindo enfaticamente e sem perder nem um instante da apresentação. 

Com um show simples, alguns grupos conseguem reunir mais de 50 ou 60 pessoas ao redor. Quase sempre com uma caixa acústica para substituir a bateria, um violão, guitarra, e, não obrigatoriamente, baixo e voz, um pequeno trexo de calçada se transforma em um palco digno de grandes músicos.

O clima é sempre informal. Vale agradecer à moeda ganhada no meio da canção; fazer piadas, se comunicar com o público, parar. Beber água ou cerveja. Voltar a tocar; quem sabe a mesma canção, mas agora com um arranjo diferente.

Quando a noite chega (isso acontece sempre após às 22h, porque até então o sol brilha), a participação das pessoas é mais e mais eufórica – as vezes penso que isso acontece por causa das dezenas de pints de cerveja bebidas. 

Para acabar não tem hora. Enquanto há público, a música rola solta e sempre soa como uma boa opção para se divertir muito e gastar pouco. Eu mesmo já deixei de entrar em pubs para curtir a balada na rua. Foi uma boa troca. A noite foi embalada por uma mistura de new wave com punk rock instrumental – e diga-se de passagem, tudo muito bem tocado.

Agora que já me fiz de louco por sete parágrafos inteiros, posso contar como é viver aqui. Na minha opnião, é a mesma coisa. Vir à passeio é uma coisa, mas morar, é outra. A partir do momento que você tem que se fixar e iniciar uma vida em uma cidade, uma rotina passa a existir. Assim como em São Paulo, Rio de Janeiro, Roma, Paris ou New York. 

 

domingo, 7 de junho de 2009

Título é o de menos.

Em qualquer parte do mundo, domingo é domingo. Tanto, que a teoria dominical foi eternizada pelos Titãs (“Não sei o que fazer. Eu saio por aí. Sem ter aonde ir. Não é sete de setembro. Nem dia de finados. Não é sexta-feira santa. Nem um outro feriado. E antes que eu esqueça aonde estou. Aonde estou com a cabeça? Tudo está fechado. Domingo é sempre assim. E quem não está acostumado?”).

Os domingos dublinenses fazem mais juz a palavra “bode” do que os paulistanos. São boas horas para pensar na vida, manter ou mudar as estratégias, ouvir uma boa música ou assintir um pouco de telinha – sem o programa Silvio Santos e, muito menos, o Domingão do Faustão.

Da janela da para ver um pouco da movimentação da rua. Sempre poucos carros (principalmente quando comparado à São Paulo), pessoas com o rosto quase todo coberto e, o pouco que fica desnudo, demonstra um certo incomodo: olhos expremidos e expressões sisudas.

Não que o povo seja sisudo. Dublin, na questão pluricidade cultural, se assemelha com São Paulo. Pessoas de inúmeras etnias, de todos os continentes, com os mais variados objetivos (estudar, ganhar dinheiro, passear, morar em uma cidade segura etc), chegam aqui todos os dias. Desta forma, tem pessoas dos mais diferentes tipos que se possa imaginar nesta pequena porção de terra isolada pelo mar. 

Até a semana passada, eu e a Ju moravamos com um um hungaro, o Norbert. Dos hábitos alimentares (completamente diferentes do nosso ), até a forma que as relações de amizade são mantidas (sempre mais distantes fisicamente, contudo, mais fiéis em seus princípios), tudo é muito interessante de observar.

Talvez, a maior diferença que eu tenha percebido, esteja no que nós (brasileiros) vemos como desapego, e para eles (europeus) soa como liberdade. As decisões, ao que me parece, são tomadas de uma forma mais simplista, direta e rápita. Exemplo: isso é bom para mim, eu vou lá e realizo. Não existem preocupações do tipo: 'o que será que minha família irá pensar' ou 'como farei se der errado'...

Como a vida é uma faca de dois 'legumes', não pude reparar só nos tomates suculentos e esquecer do giló. O giló aqui é bem amargo. Flexibilidade (ou jeitinho brasileiro, como prefiro classificar) está em extinção. Um exemplo, é a situação vivida pelo Norbert, meu ex-flat mate (sujeito que divide casa ou quarto aqui tem este nome), que pediu ao land lord (dono da casa) para baixar o aluguél, caso contrário ele se mudaria. Batata, se mudou. O engrassado, é que agora que o quarto dele está vazio, o land lord está disposto a baixar o valor.

Por isto que digo e repito: jogo de sintura é tudo na vida! Situações como esta acontecem o tempo todo. Por vezes irritam, mas a maior parte do tempo a risada é inevitável.     

sábado, 6 de junho de 2009

Do começo.

Chuva, vento, frio, dias longos; mais chuva, mais vento e mais frio. Esta é uma rotina difícilmente quebrada em Dublin. Embora a cidade seja bonita - em sua arquitetura e beleza natural – é difícil se animar. Na “Ilha Gelada” (apelido carinhoso que dei para nova residência), a rua, de preferência, deve ser evitada por longos períodos. Faço esta afirmação as vésperas do verão! O frio aqui é intenso. Pior ainda, é a sensação térmica causada pela umidade e o vento constante. 

Mesmo assim, o senário – embora tenha tudo para ser – não é desanimador. Tudo é uma questão de ponto de vista: estava eu morrendo de saudades de escrever, com uma boa garrafa de shiraz aberta, uma comidinha bem das boas no forno, e nasce a idéia deste blog. 

Sou assim: gosto das coisas do início. Portanto, nada melhor que justificar a existência desta página. Voltando à vã filosofia, quem me conhece sempre soube da minha reluta em adotar um blog. Sei lá... Por vezes, acho que pensamentos soltos na grande teia podem ser uma dose muito alta de exposição pessoal (sem retorno financeiro). Rs 

Agora que aqui estou, entre “ser e ou não ser”, serei! Já que é para ter blog, blogueiro nasci! Espero conseguir atualizar este filho em curtos períodos de tempo. E nele, passar um pouco das minha inpressões, rotinas, idéias e, quem sabe no dia em que eu estiver menos fechado (bebado), alguns sentimentos. 

Uma pequena pausa para olhar o perú que assa e adiantar mais algumas “coisinhas” da jantar, e voltamos ao velho e bom amigo Word. Não sei por que, mas não me inspiro em escrever sem ver a “folha de papel” (digital) da tela. 

Aqui tenho cozinhado muito. Minha vida de casado é assim; como a Juliana conseguiu um trabalho, e eu ainda não, faço de tudo para aliviar a parte dela após o expediente. A parte da cozinha é fácil: minha relação com o fogão é antiga e, sempre, prazerosa; o resto vai bem – nossa casa (por sorte) é bem prática.

Para première esta bom. O cheiro da janta me chama (agora são 21h40 aqui). O primeiro post para por aqui, mas a partir de agora o canal está aberto.

See you guys!!!