domingo, 7 de junho de 2009

Título é o de menos.

Em qualquer parte do mundo, domingo é domingo. Tanto, que a teoria dominical foi eternizada pelos Titãs (“Não sei o que fazer. Eu saio por aí. Sem ter aonde ir. Não é sete de setembro. Nem dia de finados. Não é sexta-feira santa. Nem um outro feriado. E antes que eu esqueça aonde estou. Aonde estou com a cabeça? Tudo está fechado. Domingo é sempre assim. E quem não está acostumado?”).

Os domingos dublinenses fazem mais juz a palavra “bode” do que os paulistanos. São boas horas para pensar na vida, manter ou mudar as estratégias, ouvir uma boa música ou assintir um pouco de telinha – sem o programa Silvio Santos e, muito menos, o Domingão do Faustão.

Da janela da para ver um pouco da movimentação da rua. Sempre poucos carros (principalmente quando comparado à São Paulo), pessoas com o rosto quase todo coberto e, o pouco que fica desnudo, demonstra um certo incomodo: olhos expremidos e expressões sisudas.

Não que o povo seja sisudo. Dublin, na questão pluricidade cultural, se assemelha com São Paulo. Pessoas de inúmeras etnias, de todos os continentes, com os mais variados objetivos (estudar, ganhar dinheiro, passear, morar em uma cidade segura etc), chegam aqui todos os dias. Desta forma, tem pessoas dos mais diferentes tipos que se possa imaginar nesta pequena porção de terra isolada pelo mar. 

Até a semana passada, eu e a Ju moravamos com um um hungaro, o Norbert. Dos hábitos alimentares (completamente diferentes do nosso ), até a forma que as relações de amizade são mantidas (sempre mais distantes fisicamente, contudo, mais fiéis em seus princípios), tudo é muito interessante de observar.

Talvez, a maior diferença que eu tenha percebido, esteja no que nós (brasileiros) vemos como desapego, e para eles (europeus) soa como liberdade. As decisões, ao que me parece, são tomadas de uma forma mais simplista, direta e rápita. Exemplo: isso é bom para mim, eu vou lá e realizo. Não existem preocupações do tipo: 'o que será que minha família irá pensar' ou 'como farei se der errado'...

Como a vida é uma faca de dois 'legumes', não pude reparar só nos tomates suculentos e esquecer do giló. O giló aqui é bem amargo. Flexibilidade (ou jeitinho brasileiro, como prefiro classificar) está em extinção. Um exemplo, é a situação vivida pelo Norbert, meu ex-flat mate (sujeito que divide casa ou quarto aqui tem este nome), que pediu ao land lord (dono da casa) para baixar o aluguél, caso contrário ele se mudaria. Batata, se mudou. O engrassado, é que agora que o quarto dele está vazio, o land lord está disposto a baixar o valor.

Por isto que digo e repito: jogo de sintura é tudo na vida! Situações como esta acontecem o tempo todo. Por vezes irritam, mas a maior parte do tempo a risada é inevitável.     

Um comentário:

  1. To adorando suas postagens. Me faz lembrar das inúmeras conversas dos mais variados assuntos e sentimentos. Sabe?! Aquela coisa loca de desabafar, dividir, descutir e de ganhar e dar um conselho?! Sempre acabava num role com breja. Sensacional e fundamental.
    Bjkas e até o próximo post.
    Loris!

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